chupamos pistons

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Semana de moda de Ranholas

Decorreu sob o signo do luxo e do glamour a II edição da "Semana de Moda de Ranholas- Outono - Verão 2007-Ranholas Faxon".
Depois de, no ano transacto, o evento ter sido cancelado no decurso do assalto a que as manequins foram sujeitas (recordamos, em plena passerelle, durante o primeiro desfile) desta feita, o forte contingente policial permitiu que se celebrassem os três primeiros dias, sem sobressaltos de maior.
Perante uma assistência multiétnica, ela própria uma mostra viva do Portugal Moderno, e onde quase pudemos disfrutar de um desfile paralelo, pontuaram, nos modelos masculinos (entre a assistência) o “Preto à porter”, numa versão cosmopolita, onde se destacam as gadelhas fartas e o regresso ás “patilhas à motorista”, as calças largas com inspiração militar e onde cabem quase todo o regimento e camisolas manchadas, inspiradas e transpiradas como ícone do mecânico de automóveis.

Quanto aos desfiles, a prestação nacional dominou este certame, em parte porque não havia nenhum estrangeiro agendado e porque a assistência multiétnica ou está ilegal e desconhece-se, portanto, a origem….ou está legau, né cara!!??

Pela sua preferência na utilização de peles naturais, Fátima Lopes escolheu a pré-História como época inspiradora da sua colecção.

À falta de peles dos animais da época, as modelos utilizaram as transparências habituais de F.L. com um tecido inovador feito à base de baba de camelo caramelizado.

Arrojados vestidos de noite, típicos dos eventos das cavernas e tabernas da época, em pele de lagarto peludo do Calahari, numa perfeita imitação de Mamutes, com botões de alcaparras em conserva.

A segunda colecção era uma aposta na qualidade e quantidade nos tecidos, nomeadamente nas malhas, mas surgiu uma intromissão da maioria étnica presente no espaçoso auditório do Palácio de congressos para reclamar com o excesso de roupas.

Os espectadores chegaram a ameaçar a modista que, ou retirava a malha ou levava uma malha. A decisão foi rápida e num ápice a colecção ganhou notoriedade e a marca inconfundível de Fátima “mamas” Lopes (como gritavam da tribuna de honra).

No final do desfile, era visível o sucesso alcançado pelas colecções, em que a interacção entre as modelos, a assistência multiétnica e as alcaparras era evidente, habituados que estão a invasões pacíficas de campo, nos jogos de futebol do estrela da Amadora.

Foi a custo que o público regressou aos seus lugares para assistir ao segundo desfile do dia, e não sem antes levar , como lembrança, alguns utensílios de multimédia.

Quando anunciaram o início do desfile de Luís Buchinho e a sua moda arrojada, logo soou da bancada que ou começava logo ou era uma “arrochada”, pelo que tudo se precipitou.

Os manequins entraram em passo de corrida para apresentar a “Linha indiana” e “Linha artesanal” desta colecção.

Na primeira, num ambiente típico duma rua de Nova Deli (dentro e fora do desfile, atrevia-me a dizer) os modelos masculinos surgiram num frenesim de sedas de gola alta e com imitações de trombas de elefante em cetim na frente do habitáculo.

A rematar, um barrete em linho, a fazer lembrar as cuecas de Sandokan…cravejado com rebites de aço.

As mais elegantes modelos surgiram embrulhadas em típicos tapetes indianos com franjas farfalhudas, mais uma vez para desespero da assistência, mas Buchinho tirou um coelho da cartola, com a entrada de travessas de chamuças e frango de caril.

Foi com o estômago recomposto que foi recebida a “Linha artesanal” . A linha étnica artesanal surge com biquinis piramidais com aplicações variadas.

Búzios, coral, cochinhas, Zé-povinhos, Galos de Barcelos, Dálmatas em porcelana ou fogareiros em barro foram algumas das propostas.

As alças e laterais dos biquinis em ráfia comestível também deram um toque de originalidade e que serviu para saciar os estômagos da assistência ululante.

Foi por altura desta última investida gastronómica que a organização decidiu dar por terminado este 3º dia de desfiles e foi por pouco que não conseguimos um balanço a esta segunda edição do evento, pois o comité organizador desapareceu precisamente no último “Mosh” espontâneo da multidão em festa.

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